HOMEM E NATUREZA

HOMEM E NATUREZA

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O homem é o principal agente de intervenção na natureza, modificando-a para a construção de formas e obtenção de recursos que assegurem sua existência. Mais do que isso, é responsável pela construção de paisagens culturais, ao passo que se apropia da natureza lhe atribuindo significados e narrativas mutáveis, dada sua historiocidade. Assim, cria e recria o seu meio, expressando nele as suas marcas identitárias e as do grupo social em que se insere.

Durante os primeiros anos do processo de colonização do Planalto de Piratininga, núcleo inicial do que viria a se tornar a cidade de São Paulo, a evangelização dos nativos foi adotada como a principal estratégia de ocupação territorial pelos portugueses. Os primeiros missionários que aqui chegaram valeram-se do conhecimento autóctone sobre o território para definição de áreas a ser ocupadas e caminhos a ser percorridos no processo de expansão geográfica do território.

A região dos Campos do Guaré ou Guarepe, área alagadiça entre os rios Tamanduateí e Tietê, era tida como um limite da cidade de São Paulo em direção ao caminho dos tropeiros que seguiam rumo às minas.  Na virada do século XVI para o século XVII, a instalação de uma pequena ermida, dedicada à Nossa Senhora da Luz, pelo português Domingos Luiz tornou-se o ponto de referência para os que passavam por aquele logradouro.

Em 2 de fevereiro de 1774 foi fundado o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Luz da Divina Providência nesta região. A criação de um recolhimento feminino é atribuída à religiosa Maria Helena do Sacramento, que tinha como confessor Frei Antônio de Sant’Ana Galvão. O então governador de São Paulo, Morgado de Matheus, patrocionou a reforma da antiga construção da Capela da Luz para transformá-la em Recolhimento, pois acreditava que esse tipo de instituição tinha um caráter político e civilizador, em função do papel pedagógico da religião.

O Recolhimento abrigava mulheres que se dedicavam às orações, sem necessariamente ter um voto religioso. Tratava-se de um espaço de proteção e educação feminina. Nesse período, a Coroa procurou evitar a instalação de mosteiros e conventos femininos nas colônias, e por vezes ordenou o fechamento desses espaços, em função da escassez de mulheres brancas aptas para o matrimônio e em reserva ao projeto colonizador.

Durante cerca de 50 anos, Frei Galvão empreendeu esforços para a coleta de doações para a reforma e a ampliação do Recolhimento. Após sua morte, em 1822, os trabalhos de construção da torre foram concluídos por seu sucessor, Frei Lucas da Purificação.

As paredes estruturais do edifício foram feitas em taipa de pilão. Esta técnica consiste no socar do barro, fibra vegetal e estrume de animais, com o auxílio de uma mão de pilão feita em madeira, dentro de uma caixa do mesmo material, que serve como forma, chamada de taipal. O tempo de secagem do bloco variava entre 3 a 6 meses. A espessa estrutura das paredes, de 30 a 120 centímetros, assegura a sustentação do edifício que, ao contrário de construções mais recentes, não possui colunas, pilares e vigas.

Atualmente esta técnica de construção vernacular, isto é, que se vale de recursos próprios do ambiente para edificação, está sendo retomada, já que utiliza materiais ecologicamente sustentáveis em sua construção. Não é interessante refletirmos sobre como a relação entre o Homem e a Natureza se modifica e acaba se ressignificando? Quantas “paisagens culturais” um mesmo lugar pode assumir pela interferência das pessoas que o constroem?

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