TERRA INDÍGENA VANUÍRE

REPRESENTAÇÃO DE TECIDOS E CESTEIRA


Os Kaingang chegaram ao sul e sudeste do Brasil há 3 mil anos. A história desse povo em São Paulo pode ser contada a partir daí. No planalto ocidental paulista, ocupavam as terras mais altas dos campos de cerrado, entre os rios Tietê e Paranapanema, vales e espigões, margeando os rios Tietê, do Peixe, Aguapeí/Feio e Paranapanema.

Em 1905, o conflito entre os Kaingang e não índios se intensificaram no oeste paulista devido ao início da construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Os Kaingang defendiam o território onde viviam e os nãos índios lutavam pela posse privada das terras motivada pela expansão cafeicultura. Os indígenas destruíam a linha do trem em construção para amedrontar. Os nãos indígenas contratavam bugreiros para eliminar os Kaingang por meio uso de armas ou contaminação por doenças o que causou morte em massa. A disputa se encerrou em 1912, com a “pacificação” dos Kaingang e confinamento deles em reservas vigiadas e controladas. No mesmo ano foi criado o Posto Indígena Icatú (Braúna) e em 1916 a Aldeia Pirã, ou P. I. Vanuíre (Arco-Íris).

Estima-se que 90% da população Kaingang foi exterminada entre 1905 e 1921. Em 1921 foram contados 173 indivíduos entre os Postos de Icatú e Vanuíre.

Os Krenak eram chamados de Aimoré pelos Tupi e Botocudo pelos portugueses no século XVIII. Se autodenominavam Grén ou Krén. Hoje se identificam como Borun, essência do ser, osBorun do Watu. Para a sociedade brasileira eles são os Krenak, últimos sobreviventes da nação “Botocudo”.

As primeiras notícias sobre os Krenak remontam ao século XVI. Seu território original era a Mata Atlântica no Baixo Recôncavo Baiano. No século XIX deslocaram-se para o sul, atingindo o Rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo.

Foram várias as tentativas de catequização e “pacificação” para que os Krenak desocupassem as margens do Rio Doce. Tornaram-se incômodos em seu próprio território cobiçado para exploração, pois resistiram foram vítimas da “Guerra Justa”. Com a construção da estrada de ferro Vitória-Minas no final do século XIX e início do XX, foram pressionados a abandonar as terras do Vale do Rio Doce.

Por volta de 1911, os Krenak foram agrupados pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) em uma área próxima a Resplendor (MG). Dois Postos de atração foram criados, o de Pancas e o Guido Marliére, atual aldeia Krenak. Dessa forma, suas terras estavam liberadas para a expansão econômica.

Em 1920, o governo de Minas Gerais destinou uma parte do território original Krenak a eles mesmos. A demarcação foi em 1923, após o massacre dos Kuparak um grupo “Botocudo”. Os 4mil hectares doados continuavam sob a cobiça de não índios. Para dimensionar, estima-se que no início do século XX haviam5 mil Krenak e na década de 1920 eram 600.

Em Minas Gerais em 1953 foram transferidos para o Posto dos Maxacali ou deslocaram-se para outros lugares. De retorno ao Posto Indígena Guido Marliére, o Posto IndígenaKrenak, em 1959, encontraram suas terras ocupadas pela Polícia Florestal e fazendeiros.Em 1970 inicia a reintegração da posse das terras Krenak. Apesar de seus direitos definidos pela justiça, em 1973 eles são transferidos para a Fazenda Guarani em Carmésia. Muitos saíram algemados de seu território original e foram tratados como infratores e desajustados sociais. Na década de 1980, ajudados por indigenistas, voltaram para suas terras ocupando apenas 44 hectares daquilo que o governo lhes doou em 1920.

Hoje, vivem numa área reduzida, reconquistada com grandes dificuldades, em Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo.

Os Krenak eram falantes de uma mesma língua, apesar das significativas variações dialetais que serviam para demarcar diferenças entre os diversos grupos que se compunham. OsKrenak pertencem ao grupo linguístico Macro-Jê, falam uma língua denominada Borun. Por isso, entre eles, são denominados de Borun e os Borun do Watu são os Krenak de Resplendor (MG).

Em decorrência de sua história de dispersões, estão presentes em diversas áreas indígenas, porém, um dos grupos mais importantes está em Arco-Íris (SP), onde coabitam com os Kaingang a Terra Indígena Vanuíre.

.

Kademi +


Escolas: Traga o Kademi para sua escola e tenha acesso ao conteúdo completo dessa campanha.

Professor (a): Solicite o material completo dessa aula pelo e-mail:suporte@kademi.com.br

Alunos / Responsáveis: Assine o Kademi e ofereça esse e mais de 4.000 conteúdos educacionais.

.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>